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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Artesofia, a Ressonância Sistêmica na Arte

Minha última postagem foi sobre o processo do auto-retrato - e como é difícil - não tanto pelas questões técnicas, mas pelo tsunami visual e emocional que passamos a cada curva, reconhecida ou não, de nossa própria forma;

E aí fui fazer um retrato de um parente hiper próximo... ok, já tinha feito isto... mas a água que passa por baixo da ponte nunca é a mesma! A mente briga o tempo todo com a gente, cada curva vira uma batalha interna, passa a genealogia sistêmica toda pelo desenho ("parece o olho de fulano, parece a boca de beltrano..."), é um sem jeito sem fim, quando tecnicamente deveria ser só um sujeito com fim.

Daí a gente pensa em todas as energias remexidas neste processo que, como diriam alguns, é só Arte. Tem gente que acha que é só o resultado... sabe de nada inocente! O processo é como correnteza por baixo do lago mais plácido, pode arrastar, pode matar, podemos nos perder por lá. Há que se ter um porto, uma âncora, descobrir este lugar dentro de nós em todas as tempestades da vida.

Fazer Arte e lidar com estas questões é treinar um bom marinheiro pra estes mar de emoções que é viver! É experimentar e expressar o que ouviu de si mesmo.
https://www.instagram.com/p/Bi2UtBJnfsN/

quarta-feira, 8 de março de 2017

OroborO #almadeartista

Existe uma imagem que, entre muitas coisas, representa a completude. 
Esta imagem é o OroborO.

Gosto de escrever assim, começando e terminando com maiúsculas, pois a palavra OroborO é um palíndromo (a gente lê igual de trás pra frente). 
O nome da imagem é como a própria imagem: randômica, infinita, cíclica.

Dependendo da cultura é uma serpente ou um dragão que morde a própria cauda; São os extremos que se tocam e se harmonizam!

Realizei este trabalho depois de um texto que fiz. 
Compartilho agora ambos com vocês. 
Da série #almadeartista

Carta ao OroborO

E se eu disser que você é o Sol?!
Forte, imenso, glorioso, a iluminar tudo e todos indistintamente....

Solar é o ser que se permite ser, sem reservas, sem preocupações com as críticas externas.

E se você, com sua capacidade solar de fazer vibrar e ressoar os próprios atributos, transcendendo a própria aparente pequeneza, pudesse solarizar um único sorriso, um único coração?

Ah sim, o Sol é imenso, supremo, absoluto!
Mas é apenas mais um Sol entre tantos no Universo. E em que isto diminui sua grandeza, sua importância, sua verdade?!

Seja Estrela a ladrilhar o céu, que tantas vezes deu alento a quem já não tinha esperança.
Se não Estrela, a Flor. que desabrocha sem murmúrios mesmo onde mais inóspito for, pois é sua essência, seu motivo de ser "seja como flor".

Se não Flor, a Pedra e toda sua imobilidade, aspereza, dureza, que permite que até o mais rijo material seja cortado com precisão.

Como "apenas ser" pode ser tão poderoso!

Único em meio a tantos pares. 
Sagrado em meio ao tanto de mundo que se esquece do primordial da vida.
Ser no silêncio de quem escuta a própria alma em meio aos murmúrios do mundo.

Que este Sol que me foi posto no peito deixe claras e densas as sombras que preciso reconhecer e apaziguar. Pois me calar é desencantar um mundo que me esperou dizer a que vim, assim como qualquer um, único.

Se celebramos cada bebê nascido reconhecemos no âmago cada ser como especial. Choramos na morte o que não foi vivido.

Diga a que veio, celebre o que és, retire de si todos os calos dos acontecimentos. Supere-se no alto pódio da própria realização.
Lá não existe culpa, ou solidão, ou frio.
Lá é o tempo do Agora, onde o passado não assombra, onde o futuro não paralisa.

Sim serpente, morda a própria cauda no Sempre visto que nada ficará entre mim e o Presente que trouxe e compartilho.

Tenho em mim sonhos que encantam palavras e inflam corações de luz.

Carla Kalindrah - 16/08/2016



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